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sexta-feira, 1 de julho de 2016
Enganar a velhice é um sonho
antigo. Mas, entre pílulas para manter a memória ativa e cremes de colágeno que
prometem uma pele livre de rugas, a ciência ainda não encontrou a fonte da juventude -
aquilo que vá retardar o envelhecimento, em vez de remediar ou disfarçar a coisa.
Agora,
cientistas da Universidade de Keio, no Japão, estão chegando bem perto de
descobrir algo assim - e quando a gente diz perto, é perto mesmo: a "fonte
da juventude" vai ser testada em seres humanos no mês que vem.
A tal
"fonte" não é mágica: é ciência pura, e seu poder vem de uma
substância chamada mononucleotídeo de nicotinamida (NMN). Encontrada em vários
alimentos comuns, como o leite, ela estimula a produção da sirtuína, enzima com
uma função chave no envelhecimento: a preservação dos tecidos do corpo. Com a
idade, o organismo vai perdendo a capacidade de fabricar essa enzima, então a
ideia é usar o NMN para reativar essa produção.
Por
enquanto, a substância só foi testada em ratos de laboratório, e os resultados
foram animadores: a droga retardou os declínios naturais do metabolismo,
manteve a energia, melhorou a visão dos bichinhos e diminuiu a intolerância à
glicose - problemas que vão crescendo quando a gente envelhece.
Agora,
o próximo passo é testar o NMN em humanos. A partir de julho desse ano, 10
voluntários saudáveis passarão algum tempo ingerindo a substância para ver se
ela realmente é efetiva contra a velhice, e se há efeitos colaterais que não
foram notados nos ratos. Se a substância passar no teste, será a primeira droga
no mercado que retarda - e não só disfarça - o envelhecimento.
Mas a
coisa não é tão simples. Apesar de o NMN servir como um elixir da vida para os
ratos, os cientistas de Keio ainda não sabem se esse efeito se manterá nos
humanos.
Como o
organismo dos bichinhos é muito menos complexo do que o nosso, o máximo que os
pesquisadores esperam é que o NMN ajude a retardar alguns aspectos da velhice
em humanos - e não que ele pare totalmente o processo.
O teste
será feito na Universidade de Keio, com a ajuda da Universidade de Washington.
E se você acha que esse é mais um daqueles estudos que não vão para a frente,
fique sabendo que ele é uma prioridade científica no Japão,
onde a população local está envelhecendo depressa - em 2055, 40% dos japoneses
terão mais de 65 anos.
Então,
o objetivo é correr com as pesquisas para que elas possam beneficiar a
população idosa crescente.Vimos no site Exame.com
quarta-feira, 22 de junho de 2016
Dormir não é bom só para recuperar as energias. Também é o momento em que consolidamos nossas memórias.
É o que sugere um novo estudo realizado por cientistas das universidades McGill (Canadá) e de Berna (Suíça).
Primeiro eles instalaram um implante que permite, usando pulsos de luz, ativar ou desativar partes do cérebro de ratos de laboratório.
Depois, mostraram um objeto para os ratinhos e deixaram que eles dormissem.
Quando os ratos alcançaram o estágio mais profundo do sono (a fase REM, sigla em inglês para "movimento rápido dos olhos", momento em que os ratos -e os seres humanos- sonham), os cientistas desligaram alguns neurônios dos bichinhos.
Desativaram o hipocampo, região do cérebro que controla a formação de memórias. Em tese, isso não deveria ter efeito nenhum. Afinal, os ratos estavam "só" dormindo, certo?
No dia seguinte, os pesquisadores mostraram o objeto novamente aos ratos. E o resultado foi surpreendente: os bichinhos passaram muito tempo cheirando o objeto, como se nunca o tivessem visto. Ou seja, eles não construíram uma memória do objeto.
Os cientistas também desligaram o hipocampo dos ratinhos enquanto eles estavam acordados, ou em outras fases do sono, sem obter o mesmo efeito. Isso mostra que é mesmo a fase REM a responsável pela consolidação das memórias.
Os pesquisadores ainda não sabem como ou por que isso acontece, mas a descoberta fortalece a teoria de que os sonhos, e as situações bizarras que eles frequentemente trazem, são um efeito colateral dos processos de manutenção executados pelo cérebro durante a noite - entre os quais pode estar a consolidação das memórias mais relevantes e o apagamento das demais.
Um noite bem dormida é fundamental. Inclusive para guardar o que você vive durante o dia.
Fonte: Revista Exame



